MATERNIDADE NO SÉCULO XIX

“As normas estabalecidas no seu início são normas colectivas que definem uma função social, a de esposa e mãe, que regulamentam os direitos da mulher em função dos seus deveres, e que designam finalmente as mulheres como um grupo social cujo papel e comportamento devem ser uniformizados, portanto idealizados. Ora essa representação totalizante desfaz-se progressivamente e as identidades femininas parecem multiplicar-se: a mãe, a trabalhadora, a celibatária, a emancipada, etc., são qualidades próprias de uma ou outra mulher, vividas frequentemente de maneira contraditória, submetidas a tensões que anunciam a vida das mulheres do século XX”.

*

“Las normas establecidas en su inicio son normas colectivas que definen una función social, la de esposa y madre, que regulan los derechos de la mujer en función de sus deberes, y que designan finalmente a las mujeres como un grupo social cuyo papel y comportamiento deben ser uniformes, por lo tanto idealizados. Pero esta representación totalizante se deshace progresivamente y las identidades femeninas parecen multiplicarse: la madre, la trabajadora, la celibataria, la emancipada, etc., son cualidades propias de una u otra mujer, vividas a menudo de manera contradictoria, sometidas a tensiones que anuncian la vida de las mujeres del siglo XX.

Geneviève Fraisse e Michelle Perrot, Ordens e liberdades, em História das Mulheres no Ocidente, Vol. 4. Tradução: Caroline V Nogueira.

ESTADOS DEPRESSIVOS NO PÓS-PARTO

“Podemos supor que o aumento verificado no aparecimento de estados depressivos no pós-parto decorre da tentativa de supressão feita nos nossos dias e em nossas sociedades, de toda e qualquer falta, de que decorre o fato de não haver lugar para a tristeza hoje. O parto, visto como insistentemente apenas pelo ângulo do ganho – de um bebê – escamoteia sua faceta obrigatória de perda que, quanto mais escamoteada, mais retorna violentamente, sob o modo da tristeza das mães”.
*
“Podemos suponer que el aumento verificado en la aparición de estados depresivos en el posparto proviene del intento de supresión hecha en nuestros días y en nuestras sociedades, de toda falta, de que resulta que no hay lugar para la tristeza hoy. El parto, visto como insistentemente sólo por el ángulo de la ganancia – de un bebé – escamotea su faceta obligatoria de pérdida que, cuanto más escamoteada, más retorna violentamente, bajo el modo de la tristeza de las madres.”

Inês Catão, “A tristeza das mães e seu risco para o bebê”, em “Novos olhares sobre a gestação e a criança até os 3 anos – saúde perinatal, educação e desenvolvimento do bebê”. Tradução: Caroline V Nogueira.

Maternidade e Imigração

“(….) o processo da maternidade de uma mulher imigrante é influenciado também por todo o processo de adaptação a que foi submetida. Verifica-se que o suporte social é de extrema importância para a eficácia de uma maternidade bem sucedida.(…) nos cuidados à mulher e ao recém-nascido, existe uma dualidade de atitudes e comportamentos, entre os ensinamentos da sua cultura e transmitidos pelos seus pares, e os ensinamentos veiculados pelos profissionais de saúde. Em situação normal de puerpério e para resolução de problemas triviais, a mulher imigrante experimenta muitas vezes os saberes da sua cultura.(…) a mulher imigrante quando vivencia uma gravidez, parto e puerpério no país de acolhimento, procura uma rede social de suporte basicamente informal, que, não sendo a que teria no seu país de origem, é a possível no país que a acolheu”.

*

(…) el proceso de la maternidad de una mujer inmigrante es influenciado también por todo el proceso de adaptación a que fue sometida. Se observa que el apoyo social es de extrema importancia para la eficacia de una maternidad exitosa (…) en la atención a la mujer y al recién nacido, existe una dualidad de actitudes y comportamientos, entre las enseñanzas de su cultura y transmitidos por sus pares, y las enseñanzas de los profesionales de la salud. En la situación normal de puerperio y para la resolución de problemas triviales, la mujer inmigrante experimenta muchas veces los saberes de su cultura (…) la mujer inmigrante cuando vive un embarazo, parto y puerperio en el país de acogida, busca una red social apoyo básicamente informal, que, no siendo la que tendría en su país de origen, es la posible en el país que la acogió “.

Maria João Pereira Sopa, Representações e práticas da maternidade em contexto multicultural e migratório. Tradução: Caroline V Nogueira.

Texto completo: https://repositorioaberto.uab.pt/bitstream/10400.2/1343/1/Representações%20e%20Práticas%20da%20Maternidade%20em%20Contexto%20Multicu.pdf

COMEÇO DA CESARIANA COMO PRÁTICA MÉDICA

“Por volta de 1900, a mortalidade materna desce para cerca de 2%. Então, mas só então, torna-se mais seguro dar à luz no hospital do que em casa. A combinação da anestesia e da antissepsia com os progressos em matéria de suturação permitem uma cirurgia audaciosa: a cesariana torna-se, no dealbar do século XX, uma prática corrente. (…) As parteiras entram como assalariadas nos hospitais e nas clínicas privadas; encontram-se aí em posição subalterna, sob as ordens dos médicos a partir de então todo-poderosos, e já não à disposição das parturientes. Uma forma tradicional de solidariedade feminina desorganiza-se, e as mulheres perdem toda a autonomia no domínio da reprodução. (…) Doravante o protector natural da mulher em trabalho de parto já não é o marido, mas o médico”.

*

“Alrededor de 1900, la mortalidad materna desciende a cerca del 2%. Entonces, pero sólo entonces, se vuelve más seguro dar a luz en el hospital que en casa. La combinación de la anestesia y la antissepsia con los progesos en materia de sutura permiten una cirugía audaz: la cesárea se convierte, en el proceso del siglo XX, una práctica corriente. (…) Las parteras entran como asalariadas en los hospitales y en las clínicas privadas; se encuentran allí en posición subalterna, bajo las órdenes de los médicos a partir de entonces todopoderosos, y ya no a disposición de las parturientas. Una forma tradicional de solidariedad femenina se desorganiza, y as mujeres pierden toda la autonomía en el ámbito de la reproducción. (…) De aquí en adelante el protector natural de la mujer en trabajo de parto ya no es el marido, sino el médico”

Yvonne Knibiehler, “Corpos e corações”, em História das Mulheres no Ocidente, vol. 4, O Século XIX. Tradução para o espanhol: Caroline V Nogueira.

MATERNIDADE NA IDADE MÉDIA

“(…) no início da gravidez, a mulher deverá evitar ‘correr, saltar e fazer qualquer movimento que seja demasiado brusco; quando sente o movimento do feto deverá ‘comer e beber com temperança, viver amiga de Deus e viver alegre, pois que assim a alma ganha gentil hábito’; deverá abster-se de relações sexuais depois da concepção e depois do parto, e amamentar pessoalmente o recém-nascido, se quer ‘agradar a Deus e ao filhinho’”.

*

“(…) al inicio del embarazo, la mujer deberá evitar ‘correr, saltar y hacer cualquier movimiento que sea demasiado brusco; cuando siente el movimiento del feto debe ‘comer y beber con temperancia, vivir amiga de Dios y vivir alegre, pues que así el alma gana gentil hábito’; debe abstenerse de relaciones sexuales después de la concepción y después del parto, y amamantar personalmente al recién nacido, si quiere ‘agradar a Dios y al hijito'”.

Silvana Vecchio, “A boa esposa”, em História das Mulheres no Ocidente, Vol. 2, A Idade Média. Tradução para o espanhol: Caroline V Nogueira.

MODELO IDEAL DE MATERNIDADE

“Toda cultura está dominada por um modelo ideal de maternidade que pode variar segundo as épocas. Sejam elas conscientes ou não, pesa sobre todas as mulheres. Pode-se aceitá-lo ou contorná-lo, negociá-lo ou rejeitá-lo, mas é sempre em relação a ele que, em última instância, se é determinado. Atualmente, o modelo é mais exigente que nunca”.

*

“Toda cultura está dominada por um modelo maternal ideal que puede variar según las épocas. Sean ellas conscientes o no, pesa sobre todas las mujeres. Se puede aceptar, esquivar, rechazar o negociar, pero en última instancia siempre es en función de uno determinado. Hoy el modelo es más exigente que nunca”.

Elisabeth Badinter, La mujer y la madre: un libro polémico sobre la maternidad como nueva forma de esclavitud. Tradução do original em francês: Montse Roca. Tradução do espanhol: Caroline V Nogueira.

DIVISÃO IGUALITÁRIA DOS PAPÉIS PARENTAIS

“No momento atual, nenhuma política familiar se revelou verdadeiramente eficaz no que concerne à igualdade entre homens e mulheres. A divisão do trabalho entre cônjuges é sempre desigual em todos os países, inclusive os escandinavos. As responsabilidades cada vez mais pesadas que recaem sobre as mães não fazem mais do que agravar a situação. Somente a divisão entre os papéis parentais desde o nascimento do bebê poderia frear essa tendência. Mas, em nome do bem-estar da criança, tomamos o caminho inverso. Os homens mais machistas podem comemorar: o final do seu domínio não está previsto para amanhã. Eles estão ganhando a guerra subterrânea sem tomar as armas, sem dizer sequer uma palavra; os partidários do maternalismo se encarregaram de fazê-lo”.

*

“Hoy en día, ninguna política familiar se ha revelado verdaderamente eficaz de cara a la igualdad entre hombres y mujeres. La división del trabajo entre cónyuges no es igualitaria en ningún país, incluidos los escandinavos. Las responsabilidades cada vez más pesadas que cargan las madres no hacen más que agravar la situación. Solo el reparto de los papeles parentales desde el nacimiento del bebé podría frenar esta tendencia. Pero, en nombre del bienestar del hijo emprendemos el camino inverso. Los hombres más machistas pueden estar contentos: el final de su dominio no está previsto para mañana. Ellos han ganado la guerra subterránea sin tomar las armas, sin decir siquiera una palabra; los partidarios del maternalismo se han encargado de ello”.

Elisabeth Badinter, La mujer y la madre: un libro polémico sobre la maternidad como nueva forma de esclavitud. Tradução do original em francês: Montse Roca. Tradução do espanhol: Caroline V Nogueira.