FUNÇÃO MATERNA

“Uma mãe suficientemente boa, ou passavelmente boa, ou não excessivamente persecutória, é aquela que permitirá que seu infans e depois seu bebê sempre se encontre com o mundo como uma fonte que consolida a força de seu sentimento de existir e a força de seu desejo de viver. Em outras palavras, a função materna – função que pode ser exercida pelo pai – consiste em zelar para que a apresentação do mundo ao infans e depois ao bebê se dê de tal forma que ele possa encontrar o mundo de maneira criativa, harmoniosa”.

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FUNCIÓN MATERNA | “Una madre suficientemente buena, o pasablemente buena, o no excesivamente persecutoria, es aquella que permitirá que su infans y después su bebé siempre se encuentre con el mundo como una fuente que consolida la fuerza de su sentimiento de existir y la fuerza de su deseo de vivir. En otras palabras, la función materna – función que puede ser ejercida por el padre – consiste en velar para que la presentación del mundo al infans y después al bebé se dé de tal forma que pueda encontrar el mundo de manera creativa, armoniosa”.

HEITOR O’DWYER DE MACEDO. CARTAS A UMA JOVEM PSICANALISTA. Tradução: Caroline V Nogueira.

Família na contemporaneidade

“Não importa se se trata de uma mãe solteira com seu único filho, de uma família resultante de cinco casamentos, com dez filhos vindos de todas as uniões anteriores, de um par homossexual que resolveu adotar uma criança; seja como for, cabe aos adultos que assumiram o encargo de uma criança, o risco e a responsabilidade de educá-la e prepará-la para a vida, na medida em que isto é possível. Mas a dívida para com a família perdida nos deprime, nos faz sentir que somos sempre insuficientes como pais, mães e educadores, já que de saída estamos fora do modelo da família tal como ‘deveria ser’. A mesma cultura moderna que nos manda fazer tudo diferente do que nossos pais e mães fizeram – e assim nos mantêm ao desabrigo de toda transmissão da experiência – nos diz que o ideal, perdido como todo ideal, era que fôssemos exatamente como nossos pais e mães ou, mais difícil ainda, como nossos avós”.

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“No importa si se trata de una madre soltera con su único hijo, de una familia resultante de cinco matrimonios, con diez hijos venidos de todas las uniones anteriores, de un par homosexual que resolvió adoptar un niño; como sea, corresponde a los adultos que se encargaron de un niño, el riesgo y la responsabilidad de educarla y prepararla para la vida, en la medida en que esto es posible. Pero la deuda con la familia perdida nos deprime, nos hace sentir que siempre somos insuficientes como padres, madres y educadores, ya que de salida estamos fuera del modelo de la familia tal como ‘debería ser’. La misma cultura moderna que nos manda hacer todo diferente de lo que nuestros padres y madres hicieron – y así nos mantienen al desabrigo de toda transmisión de la experiencia – nos dice que el ideal, perdido como todo ideal, era que fuéramos exactamente como nuestros padres y madres o, más difícil aún, como nuestros abuelos ”

Maria Rita Kehl, Lugares do feminino e do masculino na família, em A criança na contemporaneidade e a psicanálise. Tradução: Caroline V Nogueira.

MATERNIDADE EM ROMA ANTIGA

“(…) o pai permanecia senhor da sua descendência mesmo depois da sua própria morte. Ele podia precisar no seu testamento que deveria ser exposto um filho que ia nascer. O testamento podia precisar que se nascesse um filho seria deserdado, e deixar a responsabilidade do abandono à mãe. A viúva receberia, contudo, alimentos para a criança, para o caso de nascer uma filha, se o pater tivesse decidido por testamento conservá-la. O aborto não era portanto o principal meio para se interromper definitiva e totalmente o crescimento da família”.

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“(…) el padre permanecía señor de su descendencia incluso después de su propia muerte. Él podía precisar en su testamento que debía ser expuesto un hijo que iba a nacer. El testamento podía precisar que si naciera un hijo sería desheredado, y dejar la responsabilidad del abandono a la madre. La viuda recibía, sin embargo, alimentos para el niño, para el caso de nacer una hija, si el pater hubiera decidido por testamento conservarla. El aborto no era por lo tanto el principal medio para interrumpir definitivamente y totalmente el crecimiento de la familia “.

Aline Rousselle, A política dos corpos: entre a procriação e continência em Roma. História das mulheres no Ocidente. Tradução: Caroline V Nogueira.

Figuras da maternidade em Clarice Lispector

“(…) A maternidade traz nela um resto que não é assimilável, situado do lado do excesso, que não faz série com os outros objetos. (…) Irrompe como evento único, impronunciável”.

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(…) La maternidad trae en ella un resto que no es asimilable, situado del lado del exceso, que no hace serie con los otros objetos (…) Irrumpe como evento único, impronunciable”.

Cristina Marcos, em Figuras da maternidade em Clarice Lispector ou a maternidade para além do falo. Tradução: Caroline V Nogueira.