As mulheres têm uma história?

“Escrever a história das mulheres é sair do silêncio em que elas estavam confinadas. Mas por que esse silêncio? Ou antes: será que as mulheres têm uma história? (…) As mulheres ficaram muito tempo fora desse relato, como se, destinadas à obscuridade de uma inenarrável reprodução, estivessem fora do tempo, ou pelo menos, fora do acontecimento. Confinadas no silêncio de um mar abissal. Nesse silêncio profundo, é claro que as mulheres não estão sozinhas. Ele envolve o continente perdido das vidas submersas no esquecimento no qual se anula a massa da humanidade. Mas é sobre elas que o silêncio pesa mais. E por várias razões. Em primeiro lugar, porque as mulheres são menos vistas no espaço público que, por muito tempo, merecia interesse e relato. Elas atuam em família, confinadas em casa, ou no que serve de casa. São invisíveis. (…) Porque são pouco vistas, pouco se fala delas. E esta é a segunda razão do silêncio: o silêncio das fontes. As mulheres deixam poucos vestígios diretos, escritos ou materiais. (…) Mas o silêncio profundo é o do relato.”

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“Escribir la historia de las mujeres es salir del silencio en que estaban confinadas. Pero, ¿por qué ese silencio? O antes: ¿las mujeres tienen una historia? (…) Las mujeres se quedaron mucho tiempo fuera de ese relato, como si, destinadas a la oscuridad de una inenarrable reproducción, estuvieran fuera del tiempo, o al menos, fuera del acontecimiento. Confinadas en el silencio de un mar abisal. En ese silencio profundo, es claro que las mujeres no están solas. Él envuelve el continente perdido de las vidas sumergidas en el olvido en el que se anula la masa de la humanidad. Pero es sobre ellas que el silencio pesa más. Y por varias razones. En primer lugar, porque las mujeres son menos vistas en el espacio público que, por mucho tiempo, merecía interés y relato. Ellas actúan en familia, confinadas en casa, o en lo que sirve de casa. Son invisibles. (…) Porque son poco vistas, poco se habla de ellas. Y esta es la segunda razón del silencio: el silencio de las fuentes. Las mujeres dejan pocos vestigios directos, escritos o materiales. (…) Pero el silencio profundo es el del relato.”

Michelle Perrot, Minha História das Mulheres. Tradução do original em francês: Angela M. S. Côrrea. Tradução para o espanhol: Caroline V Nogueira.

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