Origem da concepção sobre a maternidade no ocidente

“O Homo sapiens que vivia na Europa (…) produziu uma grande quantidade de estatuetas de terracota que representavam mulheres: grandes seios, ventres volumosos, cadeiras largas, vulvas incisivas, às vezes sem membros e, nem sequer, cabeça.  Até o momento, nenhum especialista pode interpretar essas criações. Debatedores militantes quiseram ver nelas a origem do culto da Grande Mãe, figura arquetípica, anterior a qualquer outra divindade: as feministas encontraram aqui uma prova da preeminência inicial do feminino; as antifeministas responderam que a mãe é a essência da mulher. Na realidade, se trata de uma deusa impessoal, sem dúvidas produto da fantasia, que não remete à maternidade efetiva e que não nos ensina nada. A civilização ocidental é filha das culturas mediterrâneas, as quais se conhece muito bem e que nos deixaram muitos aprendizados. Todas eram ‘patriarcais’: os pais dominavam nas famílias e na sociedade. Mas este princípio fundamental não basta para defini-las. Os gregos, os romanos, os judeus, os cristãos (herdeiros das culturas anteriores) elaboraram construções mentais e sociais de grande complexidade em torno da maternidade, das quais ainda conservamos resquícios”.

YVONNE KNIBIEHLER, “HISTORIA DE LAS MADRES Y DE LA MATERNIDAD EN OCCIDENTE”, Buenos Aires, Ediciones Nueva Visión, 2000. Tradução do original em francês: Paula Mahler. Tradução do espanhol: Caroline V Nogueira.

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