MATERNIDADE GLORIFICADA

“Durante o século XVIII, a influência da Igreja entrou em declínio por efeito de uma secularização geral das ideias e dos costumes. (…) A mulher, que seguia estando subordinada ao homem, foi valorizada como mãe. No plano biológico, a dissecação e o microscópio emanciparam o olhar médico da autoridade dos Antigos e da autoridade religiosa; o corpo da mulher, primeiro refúgio de qualquer ser humano, tornou-se digno de atenção e cuidado. No plano social, a compaixão materna foi convocada para socorrer os despossuídos, para aliviar, ao menos em parte, os sofrimentos provocados pela revolução industrial. A glorificação da maternidade se impôs durante todo o século XIX e na primeira metade do século XX. Se trata de uma nova forma, bondosa e paternalista, do patriarcado. Distanciou as mulheres da vida pública, mas não as enclausurou em casa. De uma maneira indireta, e sempre sob controle, as associou às grandes transformações”.

YVONNE KNIBIEHLER, “HISTORIA DE LAS MADRES Y DE LA MATERNIDAD EN OCCIDENTE”, Buenos Aires, Ediciones Nueva Visión, 2000. Tradução do original em francês: Paula Mahler. Tradução do espanhol: Caroline V Nogueira.

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